Modo Meu

Posts da autoria de: Israel Del Duque

13/02/2017 - Categoria: Livro - Autor(a): Israel Del Duque

Se você assistiu a adaptação do livro para cinema, lançada em 1997, esqueça o que viu. Bom, pelo menos em parte.

Após o sucesso de Jurassic Park, não tardou que Steven Spielberg (e claro, os fãs do filme/livro) pressionassem o autor, Michael Crichton, a escrever uma sequência. Assim, no ano de 1995, foi lançado o livro O Mundo Perdido, adaptado para os cinemas com o nome de Jurassic Park: The Lost World.

A história se passa seis anos após os acontecimentos do primeiro livro, e começa com uma expedição para a Ilha Sorna, próxima à Ilha Nublar – onde, no primeiro livro, seria o Parque dos Dinossauros. A Ilha Sorna é basicamente a “central de produção” dos dinossauros que comporiam o Parque, no entanto foi abandonada depois da tragédia ocorrida no primeiro livro.

Em  O Mundo Perdido, o paleontólogo Richard Levine decide explorar a Ilha Sorna com o objetivo de ver de perto o comportamento dos dinossauros quando em grupo. O homem acaba forçando o Dr. Ian Malcom (sim, ele está de volta, assim como no filme!) a fazer uma expedição para a ilha, no entanto acaba indo sozinho antes do combinado. Malcolm, ao descobrir a empreitada de Levine, forma uma nova equipe – contando, inclusive, com as crianças Arby e Kelly, que acabam indo para a Ilha Sorna escondidas no trailer preparado para a expedição – para resgatá-lo, pois diversas vezes avisou dos perigos que paleontólogo correira na ilha – aparentemente a tragédia na Ilha Nublar não tinha sido perigosa o suficiente para convencê-lo do contrário.

Outra expedição – organizada pela empresa Byosin, rival da InGen (responsável pelo Parque) – também vai para a Ilha Sorna, com o objetivo de roubar ovos dos dinossauros que ainda habitam o local. No meio da história, a Dra. Sarah Harding, que havia sido convidada para a expedição de Malcolm, acaba se encontrando com o grupo da Byosin, e vai para a ilha junto com eles, mas é abandonada à própria sorte depois de um acidente no percurso. Com muito custo, consegue se salvar e logo encontra a equipe de Malcom, que não tarda a descobrir os planos da outra expedição e, entre dinossauros perigosos e famintos, tenta os impedir.

Sarah, aliás, é uma das personagens mais importantes do livro, e se faltaram as frases épicas de Ian Malcom – presentes no anterior – , aqui fomos compensados com as excelentes lições da Doutora, que mostra algumas vezes à jovem Kelly Curtis que ela pode ser quem ela quiser, independente do que pensem dela. Para os leitores de Ficção Científica – e para o gênero em si – isso pode ser até uma quebra, uma vez que as mulheres são pouco ou nada presentes neste universo, e, quando aparecem, são representadas por personagens secundárias e sem nenhuma relevância.

“- O que você quis dizer com ‘meninas não são boas em matemática’?

– Bem, é o que todo mundo diz.

– Todo mundo quem?

– Meus professores. (…) E as outras crianças me chamam de crânio. Coisas assim. Sabe como é.

– (…) Se eles dizem isso você deve ser muito boa em matemática, hein?

– Acho que sim. (…) Mas o negócio é que os meninos não gostam de meninas espertas demais.

(…) Ah é?

– Bem, é o que todo mundo diz…

– (…) Kelly, mesmo tão nova, tem algo que você pode aprender agora mesmo. Durante toda a sua vida, as pessoas vão te dizer coisas. E, na maioria do tempo, provavelmente 95% do tempo, o que elas lhe dirão estará errado” (Pg 287)

“- Por toda a sua vida, outras pessoas vão tentar tirar suas realizações de você. Não faça isso consigo mesma.” (Pg. 466)

Diferente de Jurassic Park, O Mundo Perdido tem um tom mais aventuresco. Em grande parte do livro, os dinossauros aparecem sendo observado por Levine e os outros, e vamos nos deparando com um mundo fantástico habitado por essas criaturas e como elas se adaptam e comportam naquele ambiente que parece ser bastante hostil. O real perigo – para os humanos – aparece mais para o final do livro, e não são poucos os momentos em que perdemos o folego e ficamos tensos, torcendo para que os personagens consigam escapar dos espécimes mais perigosos.

Obviamente, os apuros pelos quais passam os personagens principais são causados pelos homens da outra expedição, que provocam alterações no ambiente, e, consequentemente, atiçam o instinto das criaturas mais perigosas presentes na ilha. Novamente a ambição do homem causa estragos – e felizmente (spoiler) eles não se dão bem.

Em linhas gerais, o filme adapta a história base do livro, mas segue por caminhos diferentes. No livro os homens da Byosin sequer chegam a sair da ilha, enquanto que no filme não só eles escapam como levam consigo uma das criaturas para a cidade, e os estragos a gente já imagina. Algumas alterações em relação aos personagens e elenco também são feitas (o garoto Arby sequer existe no filme, por exemplo), mas, como as narrativas divergem, o que é comum em adaptações literárias para o cinema, não faz muita diferença no final.

Por se tratar de uma história diferente da que estamos acostumados (a do filme, no caso), o livro vale o investimento. A edição – mais do que caprichada – da Editora Aleph foi feita tendo como base a inversão das cores utilizadas no primeiro volume, e segue a mesma diagramação deste, além de contar com um mapa da Ilha Sorna que indica os caminhos utilizados pelos personagens e a exata localização dos ninhos das espécies presentes no livro.


13/09/2016 - Categoria: Livro - Autor(a): Israel Del Duque

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Não, eu não participei dos eventos de lançamento do livro. Embora eu trabalhe numa livraria, calhou de eu pegar folga justo no dia do lançamento, e se tem uma coisa que eu não nego é folga num sábado. E quando você trabalha numa livraria, a última coisa que você quer fazer no dia da sua folga é ir pro local onde você trabalha, não importa se é o Papa que vai fazer evento. O fato é que eu peguei a cauda longa do evento no dia seguinte e vender tanto Cursed Child fez meu hype crescer tanto que eu não consegui esperar pela versão em português do livro.

Esse não foi o primeiro livro em inglês que eu li (o primeiro foi Alif, o invisível, também lançado pela Rocco, através do selo Fantástica, e resenhado aqui), e, felizmente não tive tantas complicações para ler. Vez ou outra o dicionário faz falta, mas num todo você consegue entender algumas palavras pelo contexto da frase. E isso porque  a estrutura do texto, diferente dos livros anteriores, não se prende muito a descrições e sim a diálogos. Para quem já leu O Auto da Compadecida e Auto da Barca do Inferno, a estrutura é bastante parecida, afinal é um roteiro de peça teatral, então não tem muita dificuldade. Tem sim, momentos em que o cenário e as roupas são descritas, mas uma vez que essa parte do texto passa, é fala atrás de fala, com algumas intervenções dando a entender tom de voz e expressões faciais. Tudo para que o leitor consiga imaginar bem a peça.

Ou minimamente bem, já que eu não consigo enfiar na cabeça como foram feitos os efeitos especiais para as magias utilizadas na história (e quando de magia, estou falando daquele monte de faíscas que a gente vê durante os oito filmes). Até fiquei com vontade de assistir a peça, não só por isso, mas também para ver as interpretações do novo elenco para cada personagem.

Tentando dar o mínimo de informações possíveis (afinal #KeepTheSecrets), a história começa exatamente onde fomos deixados no último livro e filme: Harry e Gina deixando os filhos em King’s Cross e Alvo questionando o que vai acontecer se ele entrar para Sonserina e não para Grifinória. De fato ele vai para a Sonserina, assim como Scorpio Malfoy, filho de Draco, que acaba por se tornar seu melhor amigo e companheiro das aventuras vividas ao longo de toda a peça/livro. E o que não falta são coisas acontecendo com esses dois. Para não falar demais, vou só deixar vocês com uma pergunta: o que seria possível mudar em toda a história de Harry Potter que conhecemos até agora, com um simples Vira-Tempo?

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Durante boa parte do começo do livro (talvez durante todo o primeiro ato e metade do segundo) eu encarei a história como não canônica por causa do tom. Parecia algo como um universo “E se” de Harry Potter, e embora eu tenha gostado muito dos personagens novos (Scorpio é o melhor personagem na minha opinião, mas Draco também está muito bom), sentia que algo estava muito estranho naquela história, mas não sabia dizer o que.

Após o fim da leitura eu posso dizer que gostei do livro, mas não é de longe o melhor da série. O final é muito bom, encerra bem o que foi proposto, entretanto, não acrescenta muito ao que já foi contado – mesmo a tal da criança amaldiçoada, [SPOILER – selecione o trecho para ler]que descobrimos ser uma filha de Lord Voldemort (foi o que deu a entender, apesar de tudo)[/SPOILER], não fica muio clara de quem se trata. Se a ideia não te agrada muito, pode passar sem ler que não vai fazer muita diferença. Inclusive acho desnecessária uma nova trilogia no cinema, após os boatos de que a Warner está negociando pra fazer um filme baseado na história. O roteiro não tem tanta coisa importante assim que não caiba num só filme – caso de Relíquias da Morte e de Ordem da Fênix. Este último sim merecia ser dividido em duas partes, porque muita coisa ficou de fora.

Por fim, Harry Potter and the Cursed Child é, sobretudo, uma história sobre pai e filho, com Harry tentando ser um bom pai – mesmo sem saber muito sobre isso, afinal o dele não estava vivo então não tem como se espelhar nele -, e Alvo tentando não decepcionar seu pai por não ser como ele era nos tempos de Hogwarts. Os colegas de escola julgam o rapaz o tempo todo, fazendo com que o peso de ser filho do grande Harry Potter pese mais sobre seus ombros do que dos de Tiago, seu irmão mais velho e, aparentemente, “o melhor filho”. Nesse ponto, a história que se desenrola no livro faz com que os dois percebam a importância de um para o outro e os ajuda a resolver esse conflito.

harry-potter-and-the-cursed-child_bookA versão traduzida do livro será lançada em versão brochura e capa dura com o titulo de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, pela Editora Rocco, em 31 de outubro e já está em pré-venda. Segundo a editora, a versão capa dura terá como base a versão britânica. Vale lembrar ainda que esta edição lançada (tanto a original, como a nacional) são as versões do roteiro de ensaio. A versão definitiva (com possíveis alterações) ainda não tem data de lançamento, mas pode acontecer em algum momento no ano de 2017.


25/07/2016 - Categoria: Textão - Autor(a): Israel Del Duque

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Ir ao cinema é, ainda, o principal modo de consumir entretenimento, mesmo que os serviços de streaming – como Netflix – estejam pouco a pouco tomando esse espaço. O problema é quando esse momento que devia ser apenas de entretenimento se torna, literalmente dor de cabeça.

A exatamente um ano, Homem-Formiga estava em cartaz em todos – senão em grande maioria – dos cinemas do país. E, assim como há um ano, hoje eu enfrento um problema pra assistir a outro blockbuster: Caça-Fantasmas.

Antes que todo mundo venha dizer que eu devia me sentir privilegiado em poder assistir a um filme no cinema, quando, ainda hoje, muita gente não pode ou sequer já foi alguma vez a uma sessão, eu vou deixar um recado: essas pessoas que não podem ir ao cinema, seja lá por qual for o motivo, também são prejudicadas por esse mesmo problema. Então espero que esse texto seja, além de um desabafo, um momento de reflexão sobre essa situação.

Então, eu estava bastante animado pra assistir Caça-Fantasmas. Não só pelo hype pós-estreia, mas porque, ao contrário da grande maioria das pessoas, eu gostei do que vi nos trailers. Como eu disse ali em cima, é basicamente o que eu espero receber em troca de um ingresso: entretenimento. E, apesar dos critérios subjetivos de se escolher uma sessão, eu me vi, novamente, decepcionado com a falta de opções, mesmo com o tanto de cinemas em São Paulo.

Explicando melhor, aqui temos quatro grandes empresas que exibem filmes:

  • Espaço Itaú Unibanco – que divide o circuito em popular e cult (e tem algumas poucas, e caras, salas pela cidade);
  • Cinemark – a maior quantidade de salas, preço relativamente mais baixo (e o real motivo desse texto, vocês verão a seguir);
  • PlayArte – que compete bastante com o Cinemark, mas que eu não vou há séculos porque a última experiência numa sala deles não foi tão boa –
  • UCI – também poucas salas, a maioria localizada em shoppings de classe alta (ou seja…).

Agora levando em consideração que São Paulo é uma cidade grande (leva-se mais tempo pra circular dentro dela do que pra ir para cidades do interior, por exemplo), e que todas essas salas estão espalhadas pela cidade, significa que é fácil ir ao cinema, certo? Basta escolher o local mais próximo e ir, certo?

Errado!

E sabem por que? Porque se você quer assistir a uma sessão em 2D, como é o meu caso atual, e não tem nenhuma perto de onde você mora, você é obrigado a atravessar a cidade pra isso. Lembra do que eu disse no parágrafo acima? Pois é.

Ah, mas qual o problema de assistir um filme em 3D?

Isso tem as seguintes implicações:

  • A grande maioria dos filmes só tem versão em 3D pra lucrar mais, pois ele nem faz diferença na experiência;
  • Eu uso óculos, e colocar aquele do 3D por cima do meu é bastante incômodo (assistir sem o meu está fora de questão);
  • Depois da sessão eu saio com uma baita dor de cabeça (sim, eu já assisti em 3D, como os dois tópicos acima podem comprovar. No fim das contas eu acabo achando melhor pagar mais caro, mesmo que depois faça falta, do que ficar me estressando);
  • Isso sem citar caso do 3D legendado, que muitas vezes é a única opção de legendado existentes nos arredores, e que é a maior causa das minhas dores de cabeça após esse tipo de sessão.

Então vai, eu resolvi que vou atravessar a cidade pra ver o filme em 2D. Quero ver legendado. Não dá, sabe por que? Porque filme legendado geralmente só tem após as 19h/20h, e em UMA sala. Já chegou ao absurdo de eu ver na programação uma única sessão legendada O DIA INTEIRO, as 22h. É absurdo, pra dizer o mínimo.

Pensa nas opções que eu perdi: duas redes são caras, e/ou tem poucas salas ou são lugares extremamente fora de rota; uma me deixou com uma experiência que eu não quero ter de novo; e a restante – o Cinemark, nos dois casos em questão – que, tecnicamente tem mais opções de salas e horários, também me deixa na mão.

Aí eu, que trabalho de sábado e domingo também (desgraça nunca vem sozinha, vejam só), tenho que encaixar uma sessão as 20h de uma quarta-feira em um cinema próximo do local de trabalho (pra dar tempo de ir) e que só tem opção legendada em 3D – e na verdade não oferece 2D nem ao mesmo dublada. Como um filme dificilmente tem menos de 2 horas, eu atravesso a cidade até em casa tarde da noite, e ainda tenho que ter tempo de preparar as coisas pra ir trabalhar no dia seguinte.

Eu queria muito que ir ao cinema fosse apenas chegar no lugar, escolher o filme, comprar o ingresso e assistir de boas, e não transformar isso numa compra de um pacote turístico pra passar as férias na Ilha de Páscoa. Isso fora o absurdo que são os preços – sério gente, a lei da meia-entrada só existe pra galera cobrar o ingresso mais caro, seja pra qualquer tipo de espetáculo de entretenimento. Se fosse cobrado o preço justo, ninguém ia precisar pagar meia e boa parte das pessoas que não vão ou nunca foram num show, teatro, museu e afins, teria mais chances de conseguir fazer esse tipo de programa pelo menos uma vez por semestre.

Enfim, espero que com o tempo (e as reclamações. Vamos fazer barulho, gente!) ir ao cinema volte a ser só aquele programa que você faz pra esquecer os problemas da vida – e não criar mais um.


11/04/2016 - Categoria: Animes - Autor(a): Israel Del Duque

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Desde o meu texto recomendando onde assistir animes, eu venho pensando em algo novo para indicar. fora os títulos citados no post em questão (podem confiar, afinal, fui eu quem recomendou Space Dandy. Alguém aí já assistiu? Se sim você deve saber que tenho razão, não é mesmo?)

Pois bem. Como é de praxe eu sempre olho as listas da temporada para escolher o que assistir, mas sempre tem aquele título que acaba passando batido e, vez ou outra eu acabo por ver bastante gente desse meio animístico comentando. Boku Dake ga Inai Machi foi uma dessas gratas surpresas.

Criado por Kei Sanbe, ERASED (nome americano da série/mangá) foi publicado no Japão entre junho de 2012 e março de 2016, totalizando 8 volumes encadernados (e ainda sem previsão pra chegar em terras tupiniquins, embora a galera da internet faça coro nas páginas das editoras de mangás). O anime foi exibido entre janeiro e março deste ano (2016, caso você esteja lendo isso daqui a cinco anos), em uma temporada fechada de 12 episódios.

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A história, que começa no ano de 2006, segue Satoru Fujinuma, um aspirante a mangaká (desenhista de mangá) de 29 anos, que possui um poder chamado por ele mesmo de “Revival“. Poder este que consiste em fazê-lo voltar alguns minutos no tempo quando ele sente que algo ruim está para acontecer, e que, com suas interferências, talvez ele consiga evitar.

Após evitar um acidente, Satoru recebe a visita de sua mãe, Sachiko, com quem tem um relacionamento difícil. E é durante a passagem de sua mãe que o rapaz começa a se lembrar de coisas de um passado um tanto distante. Neste momento, tudo muda e sua mãe é assassinada (e dá uma relaxada  aí na cadeira porque isso acontece logo no primeiro episódio, então não é spoiler). A partir deste acontecimento, Satoru força um Revival para tentar salvá-la da morte e acaba voltando 18 anos no tempo, para o ano de 1988, quando ele era apenas um garotinho de 11 anos.

Nessa época aconteceu uma serie de sequestros terminados em assassinatos envolvendo colegas da escola de Satoru, e, ao que tudo indica, a mãe de Satoru foi morta porque sabia quem era o verdadeiro sequestrador. Assim, o garoto se vê obrigado a impedir que esses sequestros aconteçam novamente, para, quem sabe, conseguir reverter a morte de sua mãe.

Como disse mais acima, apenas pela sinopse (que tinha bem menos palavras do que eu coloquei aí) eu não me interessei pela série, mas acabei assistindo porque muita gente tinha entrado no hype, dizendo que o mangá era muito bom e que seria legal se realmente seguisse o mangá fielmente até o final (como os produtores haviam anunciado previamente), visto que este ainda estava em publicação. O que aconteceu foi que assisti o primeiro episodio e ele acabou tão rápido que eu já queria mais.

A cada episódio você vai entendendo mais ou menos por onde a série vai seguir, sempre deixando ganchos e revelando coisas que faz você ficar na ponta da cadeira de tanto nervosismo e ansiedade. E quando o mistério é revelado e você acha que a história acabou, ainda tem mais coisa pra acontecer e te deixar com os nervos à flor da pele.

Uma coisa interessante é que, em nenhum momento da série é explicado como e nem desde quando Satoru adquiriu esse poder de voltar no tempo. Por outro lado, quando volta a ser criança, ele continua tendo a mesma mente de adulto, e as vezes acaba falando as coisas sem pensar. No começo Satoru tem problemas para lembrar de algumas coisas, como por exemplo “O Esconderijo”, um lugar em que ele e os amigos se reuniam para brincar depois da aula, e graças a isso, Kenya, um de seus amigos, percebe que ele está um pouco diferente.

A animação é muito bem feita, segue o mangá fielmente (pelo menos o começo até onde li) e dá uma boa melhorada no traço do autor. A abertura fica por conta de Asian Kung-Fu Generation (da clássica abertura de Naruto, Haruka Kanata) com a música Re:Re (logo abaixo) e o encerramento é da cantora Saiyuri, com a música Sore wa Chiisa na Hikari no Yō na.

Boku Dake ga Inai Machi (ou ERASED) recebeu uma versão em Live-Action em março passado e em junho próximo ganhará um novo mangá spin-off. A série está disponível por streaming, com legendas em português, pelos serviços Daisuki e Crunchyroll.


02/02/2016 - Categoria: Livro - Autor(a): Israel Del Duque

Capa_Alien_Modo Meu - Editora Aleph

É indiscutível que Alien é uma das franquias mais adoradas da cultura pop. E a novelização do filme serve muito para justificar o porquê disso.

Primeiramente, se você não assistiu ao filme, recomendo que faça o processo inverso e leia o livro primeiro. (Até porque em que mundo você vive que ainda não assistiu Alien? Ninguém nunca mandou você consertar essa falha de caráter?) E digo isso porque parece que o autor, Alan Dean Foster, utilizou roteiros anteriores ao final, como base para escrever o livro, e, portanto, cenas extras – mas que são extremamente pertinentes à historia – são encontradas. Afinal, trata-se de uma adaptação de um filme, então nada mais normal do que ter algumas mudanças com relação ao original. Quem aí nunca viu um filme que adapta um livro ou jogo e encontrou diferenças?

A história é basicamente a mesma do filme: um grupo de tripulantes é despertado pelo computador de bordo da nave rebocadora Nostromo, chamado de Mãe, pois receberam um sinal de SOS vindo de um planeta próximo. Logo após descobrirem que ainda estão longe da Terra, resolvem atender ao chamado, e pousam no planeta, sem encontrar nada a não ser alguns ovos estranhos. Um dos tripulantes sofre ataque de uma criatura que salta de dentro de um dos ovos, e é então levado de volta para a nave, para conferência. É então que a criatura escapa, e a ameaça toma conta da nave.

Interna_Alien_Modo Meu - Editora Aleph

Apesar de no filme a história se focar na Subtenente Ripley, interpretada pela então estreante Sigourney Weaver, no livro é possível ver bastante o ponto de vista dos outros personagens, como o do Capitão Dallas, por exemplo. Aqui o clima de claustrofobia e sensação de sufoco é sentido a todo momento, diferente do filme, em que o tom é mais próximo do suspense. Diversas são as vezes em que o gato de estimação, Jones, aparece e dá um susto nos tripulantes da Nostromo – e no leitor, por que não? – enquanto que na versão cinematográfica ele aparece umas poucas vezes. O tempo todo você fica esperando a criatura aparecer e fazer mais uma vitima, então surge o gato, fazendo barulho entre o maquinário da nave, ou mesmo correndo assustado do próprio Alien.

Algumas cenas, como a clássica do Alien saindo de dentro do Oficial Kane, são descritas de forma a fazer o leitor sentir certo nojo e repugnância, fazendo jus ao filme, que tão bem faz esse trabalho de impressionar o espectador.

Uma única ressalva sobre o texto é a forma como ocorrem as transições de cenas. Não consigo entender se vem do autor, da edição, ou mesmo da proposta de se adaptar um filme, mas as vezes eu me pegava lendo um dialogo entre dois personagens e na linha seguinte já vinha outro dialogo de outros personagens não presentes na cena anterior. Confesso que isso me incomodou um pouco, pois fazia os capítulos parecerem um pouco longos, e teria sido bem menos confuso se houvessem quebras de texto, delimitando melhor as cenas. Eu particularmente gosto de texto que tem pausas pra você respirar um pouco e processar o que leu antes de prosseguir, além de funcionarem como ponto para parar a leitura, e facilitar na hora de voltar de onde você parou.

Costas_Alien_Modo Meu - Editora Aleph

Sobre a edição, nada mais podia se esperar da Editora Aleph, do que senão um trabalho bem caprichado no quesito design – a tipografia utilizada pra emular textos de computador trazem uma imersão maior – , além dos extras inclusos. O livro começa com as páginas apresentando o titulo exatamente da mesma forma que o filme faz (algo que foi repetido, em clara referência, no recente Perdido em Marte, que também é do mesmo diretor de Alien), e logo em seguida traz uma nota do autor exclusiva à edição brasileira. Ao final, uma entrevista com Sigourney Weaver e outra com Ridley Scott, o diretor, que trazem algumas curiosidades sobre a produção do filme e complementam mais ainda a obra – e que me fizeram acreditar na base utilizada para o livro, que eu disse lá em cima.

Por fim, a fantástica capa que na minha opinião é uma das melhores da editora no ano de 2015, com uma textura emborrachada e laminada, provando mais uma vez que, apesar de estarmos na era do digital, ainda faz sentido comprar um livro físico.