Modo Meu

A Marionete que queria ser Gente

18/03/2015 - Categoria: Filmes - Autor(a): Israel Del Duque

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É consenso que as produções (qualquer uma delas) da Disney marcam a vida das pessoas. Na minha cabeça eu acredito que pelo menos uns 80% da população mundial viva atualmente cresceu sendo influenciado por elas, e não será diferente com as próximas gerações.

No meu caso houveram varias idas e vindas através dos anos, em que eu assisti os desenhos do Disney Cruj (e quem não? O meu favorito era 101 Dálmatas), li as revistas em quadrinhos publicadas pela Editora Abril (tantas horas lendo Zé Carioca, Pato Donald e Tio Patinhas que já nem lembro mais) e, mais recentemente, joguei algumas das versões de Kingdom Hearts, que foi responsável pela minha volta à Disney e vontade de reassistir a todos os filmes. Para se ter um exemplo, em minhas contas, antes do ano passado a última vez que tinha assistido O Rei Leão fazia mais de dez anos!

Mas, como o título do texto já denunciou, não vou falar sobre O Rei Leão, nem sobre a Disney, mas sim sobre Pinóquio, e como eu fiquei um tanto surpreso com o filme.

Muitas coisas me fizeram assistir Pinóquio, uma delas é esta música aqui:

Se você esteve hibernando no último ano não deve saber que essa música é referenciada em Os Vingadores: A Era de Ultron. Aliás, pelos trailers dá pra perceber que o Ultron é meio como o Pinóquio (o que faz de Tony Stark quase um Gepetto), então, para não perder as possíveis referências a esse clássico, eu resolvi fazer a lição de casa.

Para mim, Pinóquio é uma história sobre o crescimento, assim como Alice no País das Maravilhas. Mas ao contrário de Alice, que serve de alegoria para o crescimento físico, as mudanças no corpo que ocorrem na adolescência, em Pinóquio temos a formação do caráter. O personagem principal começa como uma criança crua e inocente que se deixa levar pelo que as pessoas dizem sem medir o que é certo ou errado. Então temos o Grilo Falante, que, como nossa mãe fez em nossa infância, tenta abrir os olhos da marionete a todo momento. E no final do filme (SPOILER!!!), quando Pinóquio mostra que aprendeu a lição, se transforma em menino (e já não precisa mais do Grilo, pois tem a própria consciência).

[Aqui abro um parentese para comparar com o livro (o qual li recentemente): o Pinóquio original tem consciência de que está fazendo coisas erradas, mas o faz muitas vezes porque quer se dar bem. Também se mostra preguiçoso e embora aprenda com as lições que a vida lhe prega, sempre está envolvido em alguma confusão da qual não sabe se sairá vivo.]

Sobre a animação, é uma história extremamente triste e que nos mostra uma Disney muito preocupada em enfatizar os benefícios das virtudes em contraste com as desgraças decorrentes dos vícios. Uma das cenas mais macabras (na minha opinião) e traumatizantes do filme, é quando Pinóquio e seu amigo Espoleto estão na Ilha dos Prazeres e começam a se transformar em burros. Como fazia tempo que tinha visto o filme não me lembrava dela, e fiquei um tanto horrorizado.

Por fim, o filme é uma grande aventura e vale a pena assistir ainda hoje. Mesmo não sendo um “filme de Princesa” (nada contra, até porque gostei bastante de Frozen), Pinóquio é sem dúvida um clássico Disney, e a prova disso é que a sua canção principal “When You Wish Upon a Star” (vencedora do Oscar de Melhor canção Original) se tornou o tema da Walt Disney Company.

Bônus: Aproveitando o gancho lá em cima, deixo um trailer montado por fãs que mistura cenas de Pinóquio com as falas do trailer de Era de Ultron. Ficou muito bacana!


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