Modo Meu

Não somos malucos! Só não queremos fazer parte de um padrão

05/09/2016 - Categoria: Textão - Autor(a): Mariana Fernandes

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Estranho pensar em que a sociedade que diz lutar pela democracia (qual na minha humilde opinião foi fortemente atacada no último dia 31 de agosto) e defender a liberdade de cada ser existente nesse planeta, ter profissionais fortemente treinados para julgar alguém pela primeira impressão e punir quem não se encaixa no padrão.

Se você é alto demais, não serve para determinadas funções, se está abaixo de 1,50m não pode exercer cargos militares por mais que burocráticos. Mulheres que optam ter o cabelo grisalho podem ser taxadas de desleixadas pelos donos da razão de RHs. Pessoas tatuadas não podiam fazer alguns concursos até pouco tempo.  Ai eu pergunto. Cadê a liberdade de expressão escrita na lei? As leis que punem o preconceito? E o principal, por que julgar alguém assim? Por que querer que os outros sejam iguais a você?

Não me entenda mal, eu também julgo! Fui criada para isso, como todas as pessoas presentes nesta sociedade. Mas quando a gente nasce diferente, e já teve incontáveis casos do julgamento, parece ser mais fácil enxergar o erro em julgar o próximo. De casos simples como ter um estilo simples e casual e não me encaixar ao grupo dos riquinhos da minha turma da faculdade, a casos um pouco mais absurdos, como o pedido do RH, em um dos locais que trabalhei, para eu pintar o cabelo (a cor que eu nasci) por que não combinava com a estética da e empresa.

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Depois de tantos casos acho que o julgamento foi entrando em uma zona de abominação para mim. Eu simplesmente não entendo porque o que uma pessoa faz da vida dela, pode me interessar ou até mesmo me incomodar (claro que existem exceções, principalmente quando se trata de crimes). Porque uma mulher dizer que não pretende casar ou ter filhos é algo tão horrível/infantil “ela é muito nova, um dia isso vai mudar”. Ou um homem não gostar de sair cantando tudo que é mulher na frente dele é coisa de frouxo/”deve ser gay” (como se isso fosse um problema)/”não pode ser normal”.

Certa vez eu defendi uma cara que assumiu ter escolhido esperar (um tipo de grupo de pessoas evangélicas que escolheram só ter relações sexuais após o casamento), afinal a vida é dele e não é da conta de ninguém o que ele faz ou deixa de fazer. O cara ficou super feliz e disse que se houvesse mais pessoas como eu o mundo seria melhor. Legal de ouvir, né?! Infelizmente, ele que foi beneficiado com a minha defesa, dias depois apontou o dedo na minha cara e disse que eu iria para o inferno, após o meu comentário sobre não curtir muito casamento e nunca ter sonhado com isso. (P.S.: não acredito que isso seja por conta de religião e sim por diversos outros fatores)

O que posso concluir de tudo que vejo por aí é o óbvio. Que diante de uma sociedade que julga na mesma frequência em que um ser vivo precisa de ar, ir contra a corrente é sinal de fraqueza, é como tatuar um alvo na testa, já que um julgamento só “acaba” quando quem é julgado comete o mesmo erro. Quem não julga acaba servindo de treino. Então antes de cometer esse ato, pense que alguém está da mesma forma condenando uma de suas particularidades e quando esse erro for inevitável (já que nos é tão natural), apenas não compartilhe, o que não sai da sua boca não fere a ninguém.


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