Modo Meu

Alien – A Novelização do Filme | Resenha

02/02/2016 - Categoria: Livro - Autor(a): Israel Del Duque

Capa_Alien_Modo Meu - Editora Aleph

É indiscutível que Alien é uma das franquias mais adoradas da cultura pop. E a novelização do filme serve muito para justificar o porquê disso.

Primeiramente, se você não assistiu ao filme, recomendo que faça o processo inverso e leia o livro primeiro. (Até porque em que mundo você vive que ainda não assistiu Alien? Ninguém nunca mandou você consertar essa falha de caráter?) E digo isso porque parece que o autor, Alan Dean Foster, utilizou roteiros anteriores ao final, como base para escrever o livro, e, portanto, cenas extras – mas que são extremamente pertinentes à historia – são encontradas. Afinal, trata-se de uma adaptação de um filme, então nada mais normal do que ter algumas mudanças com relação ao original. Quem aí nunca viu um filme que adapta um livro ou jogo e encontrou diferenças?

A história é basicamente a mesma do filme: um grupo de tripulantes é despertado pelo computador de bordo da nave rebocadora Nostromo, chamado de Mãe, pois receberam um sinal de SOS vindo de um planeta próximo. Logo após descobrirem que ainda estão longe da Terra, resolvem atender ao chamado, e pousam no planeta, sem encontrar nada a não ser alguns ovos estranhos. Um dos tripulantes sofre ataque de uma criatura que salta de dentro de um dos ovos, e é então levado de volta para a nave, para conferência. É então que a criatura escapa, e a ameaça toma conta da nave.

Interna_Alien_Modo Meu - Editora Aleph

Apesar de no filme a história se focar na Subtenente Ripley, interpretada pela então estreante Sigourney Weaver, no livro é possível ver bastante o ponto de vista dos outros personagens, como o do Capitão Dallas, por exemplo. Aqui o clima de claustrofobia e sensação de sufoco é sentido a todo momento, diferente do filme, em que o tom é mais próximo do suspense. Diversas são as vezes em que o gato de estimação, Jones, aparece e dá um susto nos tripulantes da Nostromo – e no leitor, por que não? – enquanto que na versão cinematográfica ele aparece umas poucas vezes. O tempo todo você fica esperando a criatura aparecer e fazer mais uma vitima, então surge o gato, fazendo barulho entre o maquinário da nave, ou mesmo correndo assustado do próprio Alien.

Algumas cenas, como a clássica do Alien saindo de dentro do Oficial Kane, são descritas de forma a fazer o leitor sentir certo nojo e repugnância, fazendo jus ao filme, que tão bem faz esse trabalho de impressionar o espectador.

Uma única ressalva sobre o texto é a forma como ocorrem as transições de cenas. Não consigo entender se vem do autor, da edição, ou mesmo da proposta de se adaptar um filme, mas as vezes eu me pegava lendo um dialogo entre dois personagens e na linha seguinte já vinha outro dialogo de outros personagens não presentes na cena anterior. Confesso que isso me incomodou um pouco, pois fazia os capítulos parecerem um pouco longos, e teria sido bem menos confuso se houvessem quebras de texto, delimitando melhor as cenas. Eu particularmente gosto de texto que tem pausas pra você respirar um pouco e processar o que leu antes de prosseguir, além de funcionarem como ponto para parar a leitura, e facilitar na hora de voltar de onde você parou.

Costas_Alien_Modo Meu - Editora Aleph

Sobre a edição, nada mais podia se esperar da Editora Aleph, do que senão um trabalho bem caprichado no quesito design – a tipografia utilizada pra emular textos de computador trazem uma imersão maior – , além dos extras inclusos. O livro começa com as páginas apresentando o titulo exatamente da mesma forma que o filme faz (algo que foi repetido, em clara referência, no recente Perdido em Marte, que também é do mesmo diretor de Alien), e logo em seguida traz uma nota do autor exclusiva à edição brasileira. Ao final, uma entrevista com Sigourney Weaver e outra com Ridley Scott, o diretor, que trazem algumas curiosidades sobre a produção do filme e complementam mais ainda a obra – e que me fizeram acreditar na base utilizada para o livro, que eu disse lá em cima.

Por fim, a fantástica capa que na minha opinião é uma das melhores da editora no ano de 2015, com uma textura emborrachada e laminada, provando mais uma vez que, apesar de estarmos na era do digital, ainda faz sentido comprar um livro físico.


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