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Resenha: Sasha Grey e seu Juliette Society

07/10/2013 - Categoria: Livro - Autor(a): Elizabeth Viana

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Sasha Grey, 25 anos, é uma atriz pornô aposentada, que já atou como produtora, fotógrafa, modelo e cantora. Cinéfila e adoradora de literatura e filosofia, Sasha estreia agora como escritora. Ela lançou no mês de agosto seu primeiro livro, Juliette Society (235 páginas, Editora LeYa, selo Quinta Essência). E segundo o tabloide inglês The Independet, ela está destinada a ser a próxima E.L. James (do “Best-seller” 50 Tons de Cinza), eu não acho isso, mas…

O livro começa com três pedidos que me pareceram bem convidativos, três pedidos que te deixam com muito mais vontade de ler o livro. “Primeiro. Não se ofenda com nada que ler a partir desse ponto. Segundo, Deixe suas inibições à porta. Terceiro, e mais importante, tudo o que você vir e ouvir a partir de agora deve ficar só entre nós”.

O livro, classificado como sendo um romance, particularmente eu não sei o porquê dessa classificação, pois o romance resumi-se ao fato de a personagem principal ter um namorado, que nem é tão importante assim, é a história de Catherine, uma estudante de cinema que entra, sem querer querendo, em um mundo até então desconhecido da sociedade, uma garota que penetra o “submundo”, conhecido por Juliette Society. Um lugar onde a nata masculina da sociedade se reúne para relaxar, explorar e praticar, usando e abusando do sexo, suas fantasias mais profundas e obscuras. Antes de mais nada, este é sim um livro erótico, melhor do que 50 Tons, com certeza, e carregado da imaginação fértil da autora e de suas próprias experiências e desejos.

Dentro desse ‘’mundo novo”, Catherine pode colocar em prática todos os sonhos eróticos que possui devido a falta de atenção do namorado Jack. Ela é apresentada e introduzida nesse clube do bolinha mais pesado por Anna, uma amiga do curso de cinema que, aparentemente, tem um caso com o mesmo professor com que Catherine gostaria de ter um caso. E entre auto satisfação, para não dizer já dizendo, masturbação, sonhos eróticos, aulas de cinema, sites de pornografia para amantes do muito além do BDSM, Catherine vai ultrapassando seus limites e se percebendo tão corajosa quanto sua amiga Anna, que pratica a linha BDSM e se permite ser filmada para ir parar nesses sites que Catherine e mulheres “comuns” olham escondidas enquanto o companheiro dorme. E apesar de as experiências colocarem Catherine diante de novos e cada vez mais intensos prazeres, eles também põe em risco (leve) tudo o que ela tem de mais precioso, aqui essa preciosidade é somente o amor e a vida que ela tem com Jack.

O mais interessante do livro, são as referências que Sasha Grey faz a certos filmes e a um certo psicanalista. A história toda deste livro é baseado em grandes autores e seus feitos. A primeira citação é sobre ninguém mais ninguém menos que Marquês de Sades, basta ler esse nome para saber mais ou menos o que esperar. Sasha menciona também grandes obras como Um corpo que cai e Cidadão Kane. Enfim, algumas pessoas dirão que falta algo e que o final não é lá essa coisa toda. Outros poderão dizer que é nojento, mas, para mim, é tão normal quanto ler um rótulo de shampoo. A verdade é que, este é um livro para se ler quando se estiver, realmente disposto a deixar a inibição bem longe. Nunca escrevi um livro, mas acredito que para um primeiro livro, é uma boa leitura. Sasha Grey tem o diferencial da vivência, e escreve bem, tem uma boa, digo até excelente noção de cinema e roteiros.

Eu só posso “reclamar” de uma coisa… Gosto de diálogos, e não há muito disso, mas o resto, ok. Quanto ao final, eu gostei sim. Se você entende que ela escreveu sobre personagens possíveis e palpáveis, ela ia querer que fosse como na vida real, e na vida real certas coisas não são bem explicadas e ás vezes certas coisas terminam sem solução, como em Acossados, de Godard, um dos cineastas que Sasha Grey mais gosta. O livro é todo de referências aos seus autores e cineastas favoritos, do início ao fim. Então, eu comprei o livro e li e gostei, e digo mais, valeu cada centavo e tempo.

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