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14/05/2015 - Categoria: Livro - Autor(a): Israel Del Duque

Gêmeos da Lâmpada - O Poder do Faraó Akhenaton - resenha - modo meu - capa

Como prometido na minha resenha de Alif, o Invisível, hoje eu trago outro livro relacionado ao mundo dos gênios: O Poder do Faraó Akhenaton, primeiro volume da série infanto-juvenil Gêmeos da Lâmpada (Children of the Lamp).

(Off: vocês vão me perdoar, mas eu achei esse trocadilho do nome tão ruim que dá a volta e fica bom. É extremamente genial)

Neste livro acompanhamos a história dos gêmeos John e Philippa Gaunt, filhos de um casal abastado que mora numa mansão em Nova York. Tudo começa quando, numa ida ao dentista, os dois descobrem o precoce nascimento de seus dentes do ciso – afinal, os dois tem apenas 12 anos -, algo que sua mãe aparentemente já previa com certa antecedência. É então marcada uma data para que as crianças tirem os dentes e, num sonho compartilhado por eles durante o período de anestesia, os dois encontram com o tio, Nimrod, que pede para que os dois o visitem durante as férias.

Após uma série de acontecimentos estranhos, John e Philippa resolvem falar com os pais, que já haviam decidido mandá-los para uma colônia de férias, e pedem para ir sozinhos para Londres porque queriam passar um tempo com o tio que há tanto tempo não viam. Os dois conseguem a permissão e logo partem, animados para a viagem e curiosos com o pedido do tio, que os orientou a não dizer nada sobre o sonho que tiveram com ele.

Já em companhia de Nimrod, John e Philippa descobrem que são descendentes de uma antiga linhagem de djins da tribo dos Marid, e começam a compreender as coisas estranhas que aconteceram nos últimos dias. O tio explica que um tesouro perdido está prestes a reaparecer e, se cair nas mãos da tribo dos Shaitan pode acabar com o equilíbrio de poderes entre os djins, e fazer a balança pender para o lado do mal, gerando consequências catastróficas no mundo dos humanos.

Gêmeos da Lâmpada - O Poder do Faraó Akhenaton - resenha - modo meu - 01

Escrito por P.B. Kerr – pseudônimo de Philip Kerr, que é também autor de romances policiais adultos – o livro foi publicado aqui no Brasil em 2008, pelo selo Pavio, da Editora Rocco e a tradução ficou a cargo de Lia Wyler, que já conhecemos da tradução dos livros de Harry Potter, o que inclusive traz uma familiaridade no texto.

E falando em Harry Potter, é difícil não fazer algumas comparações com a série do bruxo mais famoso do mundo, pois aqui também temos o bem e o mal entrando numa disputa de poderes e, assim como os bruxos, os djins também vivem entre os humanos sem que ninguém saiba. Neste primeiro livro somos apresentados a esse mundo novo e vamos, junto com os gêmeos, aprendendo como ele funciona e quem são as criaturas de quem é melhor manter a distância.

Se você espera aprender um pouco mais sobre os djins, assim como em Alif, Gêmeos da Lâmpada satisfaz melhor nesse quesito justamente por ser o primeiro volume da série, porque mostra que o autor teve um trabalho de pesquisa e cuidado especial para construir esse universo, o que deixa o leitor confortável dentro de tanta informação.

Só é uma pena que apenas os três primeiros livros da série – A Djim da Babilônia (V.2) e O Talismã de Katmandu (V. 3) – tenham ganhado tradução. Eu gostei do primeiro livro, pretendo ler os outros dois e gostaria muito que a série tivesse sido concluída aqui no Brasil.


15/04/2015 - Categoria: Livro - Autor(a): Israel Del Duque

Alif - O invisível - Editora Rocco - selo fantástica - modo meu - 01

Eu sou uma pessoa muito curiosa, e quando meto uma coisa na cabeça não descanso até conseguir (ou não, a vida tem dessas coisas né ¯\_(ツ)_/¯). E foi assim até eu cruzar pela internet com o titulo Alif, o invisível (no original Alif the Unseen). Acontece que eu estava procurando por livros de fantasia que abordassem o tema “gênios” (algo que eu nunca tinha visto até então) e pesquisando um pouco sobre esses seres que a gente conhece bem e ao mesmo tempo tão pouco. Encontrei uma porção de livros (os quais ainda pretendo ler) e entre eles estava Alif.

(Off: se você acha que sabe sobre gênios só porque leu As Mil e Uma Noites e assistiu Aladdin, sinto desapontá-lo, mas não. Você não sabe NADA sobre gênios. Mas esse livro vai fazer você entender um pouquinho sobre eles, especialmente perto do final).

Pelo tema do livro como um todo ser interessante, logo quis tê-lo em minhas mãos, entretanto não havia uma edição em português, então dei um jeito e consegui ler uns trechos em inglês. Até que consegui, finalmente um exemplar e, no mesmo dia, a Editora Rocco anunciou a publicação do título em português. Fiquei muito contente porque graças a isso mais gente ia poder ler esse livro que eu gostei demais, e eu ia poder comentar com outras pessoas sobre ele.

Obrigado Editora Rocco <3

Antes de mais nada, vamos falar sobre a autora. G. Willow Wilson é uma americana convertida ao islamismo e entre seus trabalhos, está a mais recente (e bem sucedida) versão da Ms. Marvel, a primeira muçulmana dos quadrinhos. Além disso ela também é autora do livro de memórias A leitora do Alcorão, também publicado pela Editora Rocco, e será uma das roteiristas da equipe feminina dos Vingadores. Alif, o invisível é o seu primeiro romance.

Alif - O invisível - Editora Rocco - selo fantástica - modo meu

A história se passa na Cidade, um lugar fictício no Oriente Médio, onde vive Alif, um hacker que oferece serviços de proteção a diversos ativistas enquanto ele próprio se protege da entidade de segurança de Estado, a qual ele e seus clientes chamam de A Mão de Deus. O rapaz também mantinha relações com Intisar, filha de um aristocrata, até que ela se vê obrigada a terminar com Alif, pois foi prometida a outro homem, e pede para que o rapaz suma de sua vida.

Frustrado, Alif usa todo o seu conhecimento e cria um programa para detectar Intisar em qualquer lugar da internet, fazendo com que ele se torne invisível para a garota. Mas a criação escapa de seu controle e logo A Mão invade seu computador e Alif se vê obrigado a escapar da entidade, não só no mundo digital, mas no mundo real. E pra complicar de vez, Intisar manda a Alif um livro, Alf Yeom: Os mil e um dias, o qual, aparentemente, A Mão também está atrás.

Agora, enquanto foge e tenta descobrir porquê Intisar deixou o livro com ele, Alif recebe ajuda de diversas pessoas e se vê cada vez mais envolvido com djins.

(…)Por que fica chateado quando a religião diz que as coisas em que você quer acreditar são a verdade?
– Quando é a verdade, não é mais divertido, tá legal? Quando é a verdade, dá medo.

O livro mostra o mundo real com pontos de vista diferentes dos que estamos acostumados – interpretações pessoais sobre o que é e não é pecado seguindo o Alcorão; o que acontece com os ativistas que vão presos, o preconceito com mestiços e estrangeiros – e algumas coisas até absurdas, o que pode ser uma crítica da autora, como por exemplo quando Alif fala que Dina (sua vizinha e uma das pessoas que mais o ajuda durante o livro) “pensa como um homem”.

Aliás, Dina é uma das melhores personagens do livro, porque sempre questiona os atos de Alif de forma inteligente e muitas vezes o deixa sem palavras.

– Pensei que as mulheres que acreditam no véu também fossem obrigadas a acreditar que musica é proibida.
– Algumas são assim. Eu não.
– Por quê? (…)
– As aves fazem música, o junco no rio ao vento (…). Deus não proibiria uma coisa que é a sharia de criaturas inocentes.

Sobre os gênios, fiquei satisfeito com a apresentação das personagens. Descobrir mais sobre essas criaturas e imaginar um lugar em que só eles tem acesso me fez querer conhecer melhor esse lugar, explorá-lo.

Com relação à edição, gostei muito da capa que a editora optou, não só por ser a original, mas porque todas as capas de outras edições do livro são bem fraquinhas. E apesar de ter gostado muito da tradução, eu senti falta de um glossário explicando os termos em árabe, por mais que se entenda alguns pelo contexto da frase em que eles estão inseridos (entretanto isso é algo que a edição original também fica devendo).

Pra fechar, uma curiosidade: no decorrer do livro aparecem diversos nomes de artistas que parecem ser reais. Um deles, Amr Diab, eu descobri que é real (o que é legal, porque dá uma profundidade maior à trama) e um velho conhecido nosso. Sobre isso vou deixar apenas Nour El Ein, e sua cabeça vai explodir assim como a minha explodiu.

Bônus